quinta-feira, 27 de junho de 2013


TERCEIRA GUERRA MUNDIAL



A matilha desembainha os dentes
a matilha me aponta os dentes
a matilha late uma canção de guerra
a matilha dói na imaginação
o bafo quente da matilha dá calafrios...
Imagino o quanto de sabão não daria a matilha...

Escuto latidos em plena madrugada.

Sorriu deleitando a imagem da matilha
em disparada com o rabo entre as pernas.
Sorriu sonhando com a minha imagem
disparando pedras e mostrando os dentes.
Escuto latidos em plena matina.

Não houve carnificina.
YELLOW HOT-DOG



Um sol de rachar
Sol beirando o meio-dia
De um domingo de sol
Um sol para todos
Se concentra no cara fantasiado de cachorro amarelo
Que acena e distribui pirulitos
Em frente a uma loja de brinquedos.

O cachorro amarelo acenando ri
Enquanto o cara fantasiado bota a língua pra fora
Suando tudo que um domingo de sol suaria
Dentro de uma carcaça de espuma,
Se coçando em lã de vidro...
O cachorro amarelo continua acenando
E não saí atrás dos carros aos latidos,
Já o cara fantasiado fantasia um importado conversível.

O cachorro amarelo segue acenando,
Parece atuar num Magical Mystery Tour,
Já seu interior continua a cozinhar
E espumar contra o trabalho, o patrão, o sol...
O cara fantasiado vê os pais passarem feito donos
O cachorro amarelo abana o rabo e dá cambalhotas.

O sol não perdoa
O serviço não perdoa
As crianças não perdoam e pedem pirulitos
E o cachorro amarelo prossegue o aceno
Enquanto o cara fantasiado rosna abafado
Suando água de salsicha.
O cachorro amarelo segue amistoso,
Já o cara fantasiado já é cachorro louco.

O sol segue rachando
As crianças seguem rachando
Os pais e quem passa se racham
E o cachorro amarelo segue acenando
Até o cara fantasiado rachar e sabão virar.

De repente, o homem cessa o aceno

E o cachorro amarelo vai ao poste, obsceno.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Convite informal e inaugural da Albergaria de Pipas, com novidades diárias, semanais, quinzenais ou bimestrais, dependendo do humor seminal deste que vos encaminha ......... atalho para albergar. Pretendo o quanto antes dividir a administração do local com outros alberguistas, pois os objetivo é tão somente deixar rastros, como namorados pondo corações em tronco de árvore, passeios veraneios na orla entardecida, declarações quentes no cimento fresco; lençóis amarfanhados, banheiro esfumaçado, espelho embaçado com um nome molhado; o vinho que fica mais tinto quando bebido no seio amado; cigarro amornando no cinzeiro de bronze, iodo arroxeando a rubra recém ferida; a vida inaugurada com dor, choro e o sorriso da gestora; fragmentos inesquecíveis por tão fragmentados; gritos eufóricos, infantes instantes de Super-Homens, brindes insanos de conquistas sem romanos; fotografias, cartas (não de todo extintas);poemas em guardanapos, músicas dedicadas; filmes encenados, cenários bairristas que, por um instante, poderiam ser Gaudí ou Niemeyer manipulando Legos... Enfim...

Vento Chuva Céu Cerol

Manipula o menino o anzol
para rapinar o peixinho no céu
enquanto ainda é azul do mar
enquanto o vento - ainda sangue -
não trás nuvens de chumbo,
pesados tanques
para conter a manifesta invasão
de tantos losangos 
tantos Arlequins
tantos moleques
que soltam papagaios
que soltam arraias
que soltam os olhos
e só nos olhos soltos
dos soltos infantes,
Peter Pans delirantes,
cabem céu e mar. 

"S.f Casa de hospedagem, pousada onde se pode comer, beber, dormir, pagando; albergue, estalagem,asilo.
Bras. Asilo onde os mendigos se recolhem à noite."
Esse espaço destina-se ao alojamento de textos artísticos e informativos, fotografia, artes plásticas, artes sonoras, cinematográficas, mídias atuais, colagens, gambiarras e afins; filosofias disfarçadas, experiências abnegadas, empirismo puro ou necessário; troca de lâmpadas e martelos, troca de fome e exaustão, de queda e ascensão, espaço transitório, para se passar a noite, para se deixar após o desjejum. Enfim, boa hospedagem